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Morre Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil

  • Publicado: Segunda, 06 de Janeiro de 2020, 10h22
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Agrônoma Ana Maria Primavesi, pioneira na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas e precursora da Agroecologia no Brasil, faleceu neste domingo, 5 de janeiro de 2020, em São Paulo (SP). 

Ana Primavesi foi responsável por avanços no campo de estudo da Ciência do Solo em geral, e em especial no Manejo Ecológico do Solo. Sua compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma de suas maiores contribuições. Seu livro "Manejo ecologico do solo: a agricultura em regiões tropicais" é considerado uma obra de referência nas ciências agrárias.

Nascida Annemarie na Áustria em 03 de outubro de 1920, chegou ao Brasil em 1948 com seu esposo, Artur Primavesi, fugindo dos abalos da segunda guerra. Aqui tem o nome aportuguesado, passando a ser Ana Maria Primavesi. A decisão do casal em vir para o Brasil, mudou a vida não só deles, jovens recém formados e recém casados, mas principalmente o rumo da agricultura nos trópicos, especialmente no Brasil.

Residindo em São Paulo, o esposo consegue emprego na Secretaria de Agricultura em São Paulo, contando com a assessoria da esposa em todos os trabalhos que atuou. Moraram em Itapetininga (SP), Passos (MG), Itaberá (SP), São Paulo (SP) e em 1961 mudam para Santa Maria (RS) para lecionar na Universidade Federal de Santa Maria, onde Ana Primavesi e o esposo contribuíram expressivamente para a organização do primeiro curso de pós-graduação voltado para a agricultura orgânica.

Os Primavesi geravam desconforto e inveja em alguns colegas e Ana Primavesi teve que defender suas ideias ecológicas e de cuidado com o solo, que dispensam o uso de agrotóxicos e questionam o uso da adubação química sempre, sem trégua, por toda a vida.

A professora foi alvo de duras críticas dentro e fora da Academia, mas jamais deteve seu ânimo. E graças a seu destemor, hoje, quando se pensa uma prática agrícola que garanta não só alimentos a todos os seres deste planeta, como também a manutenção de sua vida, é sobre os estudos de Ana Primavesi que os estudiosos e pesquisadores se fundamentam.

Depois da morte do esposo, Ana Primavesi aposentada, passa a tocar por muitos anos sua própria propriedade agrícola em Itaí (SP). Atualmente residia em São Paulo (SP) com a filha Carin e a pesquisadora e biógrafa Virgínia Knabben.

Em 2013, a convite do Governo da Paraíba/COOPERAR, a professora Ana Primavesi veio para abertura de seminário Seminário “Paraíba – Desertificação, agroecologia e os desafios da sustentabilidade”, que teve a colaboração do Programa de Ações Sustentáveis para o Cariri e Projeto Solo na Escola/UFCG. Na oportunidade, foi assinado pelo então governador Ricardo Coutinho um decreto instituindo o PRÊMIO ANA PRIMAVESI DE AGROECOLOGIA, informou a professora do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, Adriana de Fátima Meira Vital, coordenadora do Projeto Solo na Escola/UFCG e do Espaço de Educação em Solos /CDSA/UFCG.

"Essa oportunidade foi extraordinária para os integrantes de nossa equipe de extensionistas, que puderam conversar com a professora Ana Primavesi, ouvindo dela orientações de como é preciso superar desafios e críticas e avançar no estabelecimento de práticas e ações em defesa do solo".

"A professora Ana Primavesi é o divisor de águas entre a agricultura convencional e a agroecologia. Dela recebemos as maiores lições de como entender o solo como o grande organismo vivo que nos sustenta e mantém a vida no planeta e sobre a necessidade de manter sua qualidade e saúde para o bem comum. Sua morte é uma perda irreparável, mas estamos certos de que sua missão de sensibilizar as pessoas para olhar o solo com olhos de respeito e de amor foi muito bem cumprida! Toda nossa reverência a esta mulher grande e simples que tocou o coração e clareou a mente de muita gente", destacou a professora.

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